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Manaus

Macas retidas em hospitais impedem mais de 2,2 mil atendimentos do Samu em Manaus

Levantamento da Defensoria Pública aponta 2.124 ocorrências de retenção entre janeiro e setembro, o equivalente a 3.431 horas de ambulâncias paradas; inspeção no Hospital 28 de Agosto encontrou quatro equipamentos presos na unidade

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Luiz Felipe Santos/Defensoria

A retenção de macas em unidades hospitalares de Manaus impossibilitou 2.287 atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) entre 1º de janeiro e 21 de setembro deste ano. Os dados foram apresentados pela Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) nesta quinta-feira (24), durante visita à Central de Regulação do Samu 192.

Ao todo, foram registradas 2.124 ocorrências de retenção de macas no período, o que equivale a 3.431 horas de inoperância das ambulâncias. Em média, cada equipamento permaneceu preso dentro de uma unidade hospitalar por cerca de uma hora e meia.

O problema ocorre porque, enquanto a maca fica retida no hospital, a ambulância não pode voltar a circular. O gerente técnico do Samu, Eduardo Fernandes, explicou que a situação compromete a assistência na área atendida pela unidade.

“Quando o paciente chega à unidade hospitalar, o ideal é que essa maca seja liberada, a ambulância volte a operar e esteja disponível para um novo atendimento”, afirmou.

Segundo Fernandes, a indisponibilidade afeta diretamente a resposta às ocorrências encaminhadas pela central de regulação. “Toda vez que a central define pelo envio da ambulância, parte-se do pressuposto de que aquele atendimento precisa ser realizado de forma rápida”, disse.

Inspeção no 28 de Agosto

Durante vistoria no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a equipe da Defensoria encontrou quatro macas do Samu retidas. Uma delas estava na unidade havia quase três horas no momento da inspeção, impedindo que a ambulância realizasse um novo atendimento.

O defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde, informou que foi instaurado um Procedimento Coletivo para apurar a retenção dos equipamentos. Segundo ele, a Defensoria recebeu em julho respostas da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e das organizações sociais que administram os hospitais João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo. Os documentos apontavam a aquisição de novos equipamentos como uma das medidas para evitar a retenção.

“As organizações sociais informaram que adquiriram insumos para evitar a retenção, porém, vimos in loco que o problema persiste”, afirmou Gonçalves.

O defensor também destacou que a indisponibilidade de uma maca representa a retirada temporária de uma ambulância da operação. “Uma maca retida é uma ambulância parada, que não pode realizar um atendimento dentro do tempo razoável de espera da população”, declarou.

Dados anteriores

Os números atuais são superiores aos registrados em levantamento anterior da Semsa, referente ao período de julho de 2025 a junho de 2026. Na ocasião, foram contabilizadas 1.623 ocorrências de retenção, com tempo médio de uma hora e 42 minutos.

O Hospital 28 de Agosto concentrava 41,8% dos registros, seguido pelo João Lúcio, com 39,1%, e pelo Platão Araújo, com 12,6%.

Para a Defensoria, os dados e a inspeção realizada no 28 de Agosto indicam que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para eliminar a retenção das macas. A reportagem procurou a Semsa e as organizações sociais responsáveis pelas unidades para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.

*Com informações da assessoria