Polícia
Adail Filho e Adail Pinheiro são alvos da Operação Dinastia do Lago; prefeito de Coari é afastado do cargo
PF cumpre 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari e investiga fraudes em licitações, desvio de recursos, corrupção e lavagem de dinheiro; R$ 400 mil em espécie foram encontrados na casa do secretário de Fazenda do município
Arte: Canal92am
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (16), a Operação Dinastia do Lago, que tem como principais alvos o deputado federal Adail Filho (MDB-AM) e seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos). A ação investiga a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari, no interior do Amazonas.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpre 29 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Manaus e em Coari. Além dos mandados, a Justiça determinou o afastamento do prefeito Adail Pinheiro e de pelo menos seis secretários municipais por 90 dias. Adail Filho, principal alvo da investigação, foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência, em Manaus.
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A origem da investigação
A apuração teve início em maio de 2025, após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto Internacional de Brasília. Eles transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo que partiu de Manaus e não apresentaram comprovação da origem do dinheiro.
A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos durante a investigação apontaram, segundo o processo, movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos mantidos pela Prefeitura de Coari. As apurações também identificaram empresas ligadas aos investigados que possuíam contratos com o município e que podem ter sido utilizadas em um possível esquema de fraude em licitações.
Apreensões e afastamentos
Durante o cumprimento das medidas, investigadores encontraram cerca de R$ 400 mil em espécie na residência do secretário de Fazenda de Coari. Relógios e joias também foram apreendidos no local. Em Manaus, pelo menos dois veículos de luxo foram apreendidos e levados para a Superintendência da Polícia Federal, no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste da capital.
O afastamento de Adail Pinheiro foi determinado por 90 dias. Com a decisão, assume interinamente o comando da Prefeitura de Coari o outro filho do prefeito, Emanuel Pinheiro.
O que é investigado
Segundo a Polícia Federal, as apurações investigam a possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros. Há indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras que poderiam ter sido usadas para o pagamento de vantagens indevidas e para ocultar a origem e os destinatários finais dos valores.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Histórico político e inquérito no STF
Adail Pinheiro está em seu quarto mandato como prefeito de Coari. Sua carreira pública começou em 1998, quando se candidatou a deputado estadual. Em 2000, foi eleito prefeito pela primeira vez, sendo reeleito em 2004. Em 2012, retornou à Prefeitura para o terceiro mandato e, em 2024, foi novamente eleito, assumindo em 1º de janeiro de 2025.
A candidatura de Adail Pinheiro em 2024 foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) mesmo com histórico de condenação por improbidade administrativa, acusações de pedofilia e envolvimento em fraudes em licitações. Ele obteve 51,12% dos votos válidos.
Paralelamente, um inquérito aberto no STF apura a possível participação de Adail Filho em crimes relacionados a corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhou o caso para a Polícia Federal dar continuidade às investigações.
A operação segue em andamento, e novos detalhes devem ser divulgados pela Polícia Federal ao longo das diligências.






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