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Amazonas

Água da Cachoeira Natal volta a ficar cristalina após intervenção irregular em propriedade no Rio Urubu

Fiscalização identificou obra sem licença ambiental cerca de 8 km acima da cachoeira; turbidez registrada no domingo (13) preocupou turistas e comerciantes em Presidente Figueiredo

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Reprodução

A água da Cachoeira Natal, um dos principais pontos turísticos de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, voltou a apresentar aspecto cristalino, nesta segunda-feira (14), um dia depois de ter amanhecido barrenta e coberta de sedimentos. Segundo a Prefeitura de Presidente Figueiredo, uma vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) identificou uma intervenção sem licença ambiental em uma propriedade particular às margens do Rio Urubu, cerca de oito quilômetros acima da cachoeira.

De acordo com o município, a área passava por uma obra para a construção de uma praia, e materiais da intervenção estavam sendo direcionados para o leito do rio, provocando o carreamento de sedimentos e alterando temporariamente a aparência da água.

O flagrante do fim de semana

A mudança na coloração da água chamou atenção de moradores e visitantes já no domingo (13), quando a Cachoeira Natal — que recebe turistas durante o verão amazônico — amanheceu com a água barrenta, em contraste com o aspecto cristalino habitual do local.

Jones Farias, empresário que atua na região há mais de dez anos, afirmou nunca ter presenciado uma situação parecida:

“É a pior surpresa que a gente poderia ter. Esperamos receber turistas para conhecer essa cachoeira que representa tão bem o Amazonas. Mas eles se deparam com essa situação causada por um irresponsável. Acreditamos que não seja produto químico, mas barro e argila, resultado de assoreamento”, disse.

O episódio também mobilizou o setor turístico do município. Judeilson Trindade, presidente do Conselho de Turismo de Presidente Figueiredo, acompanhou o caso de perto e destacou o impacto para a economia local:

“É muito preocupante porque trabalhamos com turismo. O impacto atingiu uma das melhores cachoeiras no período do verão amazônico. Estamos monitorando para entender onde está acontecendo esse crime ambiental”, afirmou.

O que apontaram as primeiras investigações

Antes da confirmação da causa pela Prefeitura, fiscais da Secretaria de Meio Ambiente já haviam percorrido a mata em busca da origem do problema. Sobrevoando a região, as equipes conseguiram dimensionar melhor a extensão do dano.

Carlos Daniel, fiscal da secretaria, chegou a apontar a localização aproximada da alteração antes da confirmação oficial:

“Houve mudança na coloração e acreditamos que seja resultado de impacto ambiental. Vamos voltar ao local para notificar o responsável, possivelmente ligado a assoreamento em um igarapé. A normalização da água deve demorar por causa da vazante lenta”, disse, na ocasião.

A apuração posterior do município confirmou que a origem estava, de fato, na direção apontada pelos fiscais — uma intervenção não licenciada em terreno particular às margens do rio.

Cobrança por responsabilização

Mesmo com a água já normalizada nesta segunda, o episódio reacendeu a cobrança por fiscalização mais rígida sobre intervenções às margens de rios que abastecem pontos turísticos da região. Jones Farias reforçou a expectativa de que o caso não fique sem resposta:

“Esperamos que a pessoa seja penalizada e que isso seja cessado. Todos que visitam aqui são guardiões da cachoeira. O impacto de hoje mostra a importância que a Cachoeira Natal tem para o Amazonas”, declarou.

A Cachoeira Natal fica no Ramal do Urubu, em Presidente Figueiredo — município conhecido como “Terra das Cachoeiras” — e possui uma queda d’água de quase 50 metros, sendo um dos principais atrativos naturais da região durante o verão amazônico.