Dois policiais civis do Amazonas foram presos preventivamente na manhã desta quarta-feira (26) em Manaus, acusados de integrar uma organização criminosa responsável pelo roubo de R$ 800 mil em espécie e 30 quilos de ouro — avaliados em milhões de reais — em Boa Vista (RR). A operação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima, com apoio do Ministério Público.
Os presos são o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Segundo a investigação, eles participaram de um esquema que simulava operações policiais para roubar cargas de ouro e dinheiro de garimpeiros e compradores.
O crime e a falsa abordagem
O crime ocorreu em 29 de março deste ano no bairro Caçari, zona nobre de Boa Vista. A ação foi arquitetada pelo influenciador digital Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como “Itz Ivan” (33 anos), que atuava como intermediário no mercado ilegal de minérios, conectando garimpeiros a compradores.
Segundo a investigação, Ivan atraiu um comprador para sua própria residência sob o pretexto de fechar a venda do ouro de um garimpeiro. Com a carga de minério e o dinheiro em espécie já no local, o grupo colocou o plano em prática: utilizando uma viatura descaracterizada, distintivos, armas e fardamentos idênticos aos da Polícia Civil, os agentes invadiram o local simulando uma apreensão e roubaram tanto o dinheiro do comprador quanto o ouro do garimpeiro.
Prisões e bloqueios
Ivan Luiz fugiu após o crime para Florianópolis (SC), onde foi preso na última sexta-feira (21). Ele é apontado como o operador financeiro e encarregado da lavagem de dinheiro da quadrilha.
Além dos policiais amazonenses, o investigador da Polícia Civil de Roraima Marcelo Henrique Sobral (51 anos) já havia sido detido na semana passada. Ele era responsável por operacionalizar o uso das viaturas oficiais da PCRR e recrutar outros agentes para as abordagens simuladas. No momento da busca e apreensão, Marcelo tentou destruir o próprio celular para eliminar provas e foi autuado por fraude processual.
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões em bens, imóveis e valores dos investigados, que também são suspeitos de participação em outros roubos na região, com prejuízos acumulados superiores a R$ 23 milhões.
Investigações em andamento
A participação de agentes da lei era a espinha dorsal do esquema. As investigações apontam que a organização criminosa atuava de forma estruturada, com policiais civis do Amazonas e de Roraima envolvidos em roubos simulados. As defesas dos citados ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto para os posicionamentos oficiais.
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