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Amazonas

‘Estamos doentes e entregues às baratas’: Enfermeira chora ao cobrar Roberto Cidade por calote salarial e demissões em massa na saúde

Em protesto na porta do MPT, enfermeiros cobram o pagamento do piso nacional e repudiam demissões em massa; categoria afirma que atrasos salariais se arrastam por meses e que servidores estão sendo pressionados a declarar apoio político para manter os empregos

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O protesto desta segunda-feira (17), realizado por cerca de 50 profissionais de enfermagem em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), na Avenida Mário Ypiranga, escancarou a crise que atinge a saúde pública do Amazonas sob a gestão do governador Roberto Cidade (União Brasil). Os trabalhadores denunciaram demissões em massa, atrasos salariais que se arrastam por meses e a falta de pagamento do piso nacional da enfermagem.

O desabafo da enfermeira Grazy Souza

Um dos momentos mais emblemáticos do protesto foi o desabafo da enfermeira Grazy Souza, que dirigiu palavras duras ao governador. A profissional expressou a exaustão de uma categoria que se sente abandonada pelo poder público.

“Estamos doentes, estamos abandonados pelo poder público e você [governador Roberto Cidade] tem a cara de pau de vir demitir os profissionais, pessoas que deram a vida para estar lá nos hospitais”, afirmou Grazy, que também criticou o descumprimento do piso salarial da categoria.

Segundo ela, profissionais que atuam há anos na rede estadual de saúde estão sendo desligados, sem o pagamento de seus direitos, em pleno período eleitoral. “Você deveria criar vergonha na sua cara”, declarou, dirigindo-se ao governador.

Atrasos e demissões em massa

A denúncia dos profissionais de enfermagem não é isolada. Levantamentos recentes apontam que empresas que prestam serviços médicos ao estado acumulam pagamentos em atraso desde 2024. A Cooperativa Pediátrica de Assistência Neonatal do Amazonas (Coopaneo), por exemplo, afirma ter R$ 7,3 milhões a receber referentes a serviços prestados em novembro e dezembro de 2024, além de outros créditos acumulados em 2025 e 2026. A Sociedade dos Pediatras do Estado do Amazonas (Cooped) também reclama de uma dívida de  21,6 milhões.

Além dos atrasos, a categoria denuncia uma onda de demissões em massa que estaria sendo utilizada como mecanismo de pressão política. Ex-servidores relataram que estão sendo pressionados a declarar apoio político ao governador sob ameaça de demissão. Uma ex-supervisora do programa Prato Cheio, Alcione Rocha, afirmou que funcionários foram convocados de forma repentina e que a forma como foram tratados diante da demissão foi desrespeitosa.

A fala do governo

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) já havia se manifestado anteriormente sobre os atrasos, informando que os pagamentos pelos serviços prestados em 2026 estão sendo realizados conforme o fluxo administrativo previsto em lei. Sobre débitos de anos anteriores, a pasta afirmou que elabora um cronograma de pagamento de acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira do Estado.

O governador Roberto Cidade, por sua vez, já afirmou ter pago mais de R$ 100 milhões a médicos desde o início de sua gestão, mas a categoria contesta a declaração, afirmando que os atrasos continuam se acumulando.

O que está em jogo

O protesto desta segunda-feira revela um cenário de crescente insatisfação entre os profissionais de saúde do Amazonas. A categoria exige não apenas o pagamento dos salários atrasados, mas também a garantia de direitos trabalhistas básicos, como o piso nacional da enfermagem, e o fim das demissões arbitrárias que, segundo eles, estão sendo usadas para silenciar vozes críticas no período eleitoral.