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“Cansado de ser odiado”: Wagner Moura critica polarização e defende diálogo com a direita

Ator afirmou em entrevista a Pedro Bial que debate sobre tamanho do Estado e financiamento de políticas públicas é “superválido”, mas não acontece; classificou “fascismo de esquerda” como ameaça

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Reprodução

O ator Wagner Moura afirmou, em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, exibida na terça-feira (4), estar “cansado de ser odiado” e disse querer um diálogo real com pessoas da direita sobre temas que considera relevantes para o país. A gravação foi realizada em Atenas, na Grécia, onde o ator faz uma turnê europeia com a peça “Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, que estrela e co-assina como autor.

Durante a conversa, Moura defendeu que o debate sobre o tamanho do Estado — pauta geralmente associada à direita — é uma discussão “superválida” que deveria ocorrer com mais frequência. “A esquerda sempre diz: ‘a gente quer seguridade social, a gente quer cultura, a gente quer educação gratuita, a gente quer tudo isso’. A direita faz uma pergunta que eu acho justa, que é: ‘quem vai pagar isso que você quer?’. Essa discussão eu acho muito boa, mas não tem”, afirmou.

Para o ator, o debate acaba travado em questões de identidade e legitimidade — um fator que, segundo ele, está presente tanto na direita quanto na esquerda identitária, que classificou como “fascismo de esquerda”.

“O papo dos caras é: ‘Ah, ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, ele não pode falar do Brasil’. Ou: ‘Ele prosperou na carreira, e então, como é que pode? Não é gay e defende gay, não é preto e defende preto'”, disse Moura, que caracterizou a polarização como “a maior ameaça” à democracia.

O ator também relatou críticas que recebe de pessoas alinhadas à direita por manter convicções de “justiça social” mesmo depois de ter alcançado sucesso profissional e financeiro. Ele descreveu o tipo de acusação que ouve de defensores da meritocracia: “Você é um hipócrita, porque você está aqui, tomando esse vinho com o Pedro Bial, e você acredita que quem mora na favela merece ser tratado com decência”. Moura rejeitou a premissa de que ter prosperado o tornaria uma exceção que invalida suas posições. “Quanto você precisa ganhar para você deixar de acreditar em justiça social?”, questionou.

A entrevista ocorre em um momento em que o ator tem se manifestado publicamente sobre política com mais frequência, incluindo críticas ao governo Lula e ao Congresso Nacional. Em junho deste ano, ele afirmou que a atual gestão federal “está atrasando o país” e classificou o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como representantes da “velha política”. As declarações geraram reações contrárias de aliados do governo e dividiram opiniões nas redes sociais.

Moura também tem se posicionado sobre temas como o impasse entre Brasil e EUA, a liberdade de expressão e o governo do presidente americano Donald Trump. Em maio, ele disse que a decisão de suspender as tarifas sobre o Brasil “tem que ser comemorada”, mas também “um alerta para o Brasil tomar conta do seu quintal”. As falas têm sido usadas tanto por apoiadores quanto por críticos para reforçar suas respectivas narrativas.