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Amazonas

Sob pressão dos médicos, Cidade promete mais R$ 40 milhões até sexta (8)

Governo afirma ter repassado R$ 276 milhões em quatro meses e promete mais de R$ 40 milhões até sexta; entidades médicas cobram cronograma e apontam atrasos que se arrastam desde 2024

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Arte/Canal92am

O governador Roberto Cidade (União Brasil) veio a público nesta quarta-feira (5) anunciar o que chamou de avanço nas negociações para colocar em dia o pagamento dos médicos que seguram a rede pública estadual de saúde. O tom foi de quem está resolvendo o problema, mas, por trás do anúncio, há uma conta que ainda não fecha, e é justamente ela que mantém a categoria mobilizada.

Segundo o Governo do Amazonas, R$ 276 milhões já foram repassados nos últimos quatro meses para regularizar os pagamentos ligados aos serviços médicos. O governador garantiu que o diálogo com a categoria vai continuar e prometeu um novo repasse, superior a R$ 40 milhões, até esta sexta-feira (8).

A pressa tem endereço. O anúncio chega depois de uma sequência de cobranças das entidades médicas, que vinham alertando para os atrasos nos honorários e para o risco de que a demora respingasse no atendimento à população. Na última segunda-feira (4), o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) voltou a pedir uma reunião com o governador para tratar dos pagamentos pendentes.

O movimento ganhou peso nacional. Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Médica Brasileira e Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) se somaram à mobilização e participaram de um encontro para discutir saídas diante dos atrasos. Na mesa, as entidades defenderam a criação de um cronograma para quitar os valores em aberto e cobraram previsibilidade, algo que, segundo elas, tem faltado aos médicos contratados por empresas prestadoras de serviço.

De acordo com o Simeam, há profissionais que acumulam atrasos desde 2024, uma situação que, no limite, ameaça as condições de trabalho, a compra de insumos e a própria permanência dos médicos nas unidades. O presidente do sindicato, Mário Vianna, afirmou que as entidades nacionais estão unidas em defesa dos profissionais do Amazonas e da continuidade da assistência. Fez questão, no entanto, de cravar um ponto: não se trata de paralisar atendimentos, e sim de cobrar a regularização dos pagamentos e melhores condições de trabalho.

A conta dos R$ 84 milhões

Foi nesse clima que veio, no dia 31 de julho, o anúncio de R$ 84 milhões destinados aos médicos da rede estadual, divulgado pelo próprio governador nas redes sociais, poucos dias depois das cobranças das entidades.

Só que o valor não é tão direto quanto pareceu. Documentos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) analisados mostram que uma fatia significativa desse dinheiro não foi parar diretamente no bolso dos médicos: R$ 66,9 milhões foram repassados a contratos de gestão hospitalar, tocados por Organizações Sociais que administram unidades como os complexos hospitalares das zonas Sul e Norte de Manaus e o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo.

É verdade que esses contratos de gestão cobrem despesas essenciais para manter os hospitais de portas abertas — medicamentos, insumos, fornecedores, contratação de pessoal e custos de operação. O problema é o que os documentos não mostram: eles não detalham quanto desse montante foi efetivamente usado para quitar honorários médicos, nem abrem a divisão dos recursos entre as diferentes despesas. Ou seja, dizer que os R$ 84 milhões foram “para os médicos” é, na melhor das hipóteses, uma simplificação.

O que diz o governo

Na reunião desta quarta, Roberto Cidade afirmou que o Estado está cumprindo suas obrigações financeiras e que o objetivo é dar segurança aos profissionais e garantir a continuidade do atendimento. O governo informou que os pagamentos fazem parte de um processo de reorganização financeira conduzido pela SES-AM, com a intenção de estabelecer mais regularidade nos repasses. A promessa concreta, por ora, é o novo aporte de mais de R$ 40 milhões às empresas médicas até sexta-feira (8).

Anúncios feitos, o teste agora é outro: transformar o repasse pontual em rotina. Enquanto a regularização não virar rega permanente, a categoria promete seguir cobrando, e a conta dos R$ 84 milhões deve continuar rendendo perguntas.

O espaço segue aberto para manifestação complementar do Governo do Amazonas, da SES-AM e das Organizações Sociais citadas.