Política
Michelle Bolsonaro sela paz com Flávio após pedido de desculpas: “Todos nós cometemos erros”
Senador pediu desculpas à ex-primeira-dama em gravação; ela respondeu com perdão e promessa de união na campanha presidencial
Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) enterraram o desgaste público que se arrastava por quase um mês. Na tarde desta quinta-feira (23), Flávio publicou um vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas à madrasta e fazendo um apelo por união. Horas depois, Michelle respondeu em outra gravação: aceitou o pedido, perdoou o enteado e sinalizou que os dois vão se reunir para “ajustar os detalhes” da reaproximação. A previsão é que, em breve, gravem um vídeo juntos como selo final da trégua.
“Recebi suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade”, afirmou Michelle. “Todos nós cometemos erros, isso é humano, e o seu gesto de vir ao público para pedir desculpas tem muito valor e poucos homens teriam coragem de fazer isso”, disse. Ela completou: “Por isso, aceito seu pedido. Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e, juntos, vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”.
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No vídeo que abriu o caminho para a trégua, Flávio reconheceu os erros. “Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito, e mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, disse o senador.
Os bastidores da reconciliação
A pacificação não foi espontânea. Envolveu semanas de articulação nos bastidores do PL, com mediação do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Em 8 de julho, Valdemar já havia afirmado que trabalharia pela aproximação: “Temos que acertar isso aí em 20 dias, porque a nossa convenção nacional vai ser dia 25”.
Além de Valdemar, duas mulheres foram peças-chave na costura do acordo: a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos). Segundo apuração, a negociação durou cerca de dez dias, com sucessivas conversas para construir o conteúdo dos vídeos. “Foi um texto para lá e um texto para cá”, relatou uma fonte. Em seu vídeo, Michelle agradeceu publicamente às duas: “Quero agradecer de maneira muito especial às minhas amigas Celina Leão e Damares Alves, que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”.
Motivação política e impacto eleitoral
O gesto ocorre às vésperas da convenção nacional do PL, marcada para este sábado (25) em São Paulo, que deve oficializar Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência. A crise entre os dois vinha sendo apontada como um dos fatores que minavam a pré-campanha do senador, especialmente junto ao eleitorado feminino. Michelle é vista como uma liderança com capacidade de diálogo com mulheres, evangélicos e conservadores.
Aliados de ambos admitem que a construção do gesto de pacificação é pragmática e visa trazer ganhos eleitorais. A reconciliação também deve ajudar a campanha de Flávio a mostrar a aliados políticos que o projeto não começa rachado.
Michelle não deve comparecer à convenção nacional em São Paulo para não se afastar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está com a saúde debilitada. Contudo, é esperada na convenção do PL no Distrito Federal, no dia 5 de agosto, e cresce a expectativa de que ela anuncie sua candidatura ao Senado. A ex-primeira-dama também deverá ser convidada para reassumir a presidência do PL Mulher, cargo que deixou durante o auge da crise.


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