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Amazonas

Médico encontrado morto estava sem receber salários; classe médica diz enfrentar “colapso” e cobra Governo do Estado

Waldir Rodrigues Junior foi encontrado sem vida em casa na última segunda-feira (20); em vídeo divulgado nas redes sociais, a médica pediatra Adriana Lima afirmou que a categoria vive um cenário de “colapso”

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Reprodução

O médico ultrassonografista Waldir Rodrigues Junior, foi encontrado morto em sua residência na última segunda-feira (20), em Manaus. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Antes de ser encontrado sem vida, o profissional gravou um áudio desabafando sobre a situação de oito meses sem receber pelos serviços prestados ao Estado e criticando duramente a gestão estadual.

“É horrível isso, cara. Tapar buraco, entendeu? Esse é o governador Wilson Lima, o que restou desse, desses calhordas, entendeu? Do Wilson Lima. Acabou com os médicos de Manaus.”

A morte do médico gerou forte comoção entre profissionais da saúde e expôs o que a categoria descreve como um “colapso” na rede pública. Segundo pessoas próximas, Waldir enfrentava severas dificuldades financeiras em razão dos atrasos nos pagamentos, situação agravada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) recente.

Nota de repúdio e cobrança da categoria

A classe médica divulgou uma nota de repúdio contra o Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). No documento, a categoria denuncia os atrasos recorrentes no pagamento de prestadores de serviço, destacando que meses de trabalho já executado seguem sem remuneração, mesmo após empenhos e promessas de quitação. Os autores do texto afirmam que o caso escancara o impacto devastador da inadimplência do Estado sobre a saúde física, mental e financeira dos profissionais.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a médica pediatra Adriana Lima afirmou que a categoria vive um cenário de “colapso” e defendeu uma paralisação em solidariedade ao colega e como forma de pressionar o governo. “Todos nós estamos passando por um colapso por não poder cumprir com os nossos compromissos”, afirmou. Ela também criticou os gastos com propagandas políticas e o silêncio do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e do Sindicato dos Médicos.

Prefeito critica gestão estadual

Durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira (21), o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), também citou a morte do médico para criticar a gestão do governador Roberto Cidade (União Brasil). Segundo o prefeito, Waldir estaria há oito meses sem receber pelos serviços prestados à rede estadual de saúde.

“Eu estou aqui indignado com o que está acontecendo. Acabei de receber as imagens, tive as informações da morte de um médico, do Balbina Mestrinho. Radiologista. Oito meses sem receber”, declarou.

A manifestação ocorreu enquanto Renato comentava a crise envolvendo o Passe Livre Estudantil e a greve dos rodoviários. Durante o pronunciamento, ele ampliou as críticas à condução da saúde pública estadual.

“Você [Roberto Cidade] não faz isso porque você não deve apenas os alunos da rede pública estadual. Você deve também os médicos que estão no 28 de Agosto. Você deve os enfermeiros, os maqueiros, os agentes de portaria”, afirmou.

O áudio que expõe a crise

Na gravação, Waldir expressa angústia com as escalas de plantão e a falta de organização. Ele relata que atendeu uma paciente em Manacapuru, mas não recebeu novos plantões, e critica a gestão do então governador Wilson Lima:

“Tá ali, eu atendi a Cristiane lá no Manacapuru, eu fiz exame dela. Aí conversei com ela, falei com ela que eles não me… não me mandaram, não me mandaram mais plantão essa se… essa semana, esse final de semana que… Aí vem dizer que plantão… tá no meu nome lá.”

Até o momento, a SES-AM não se manifestou oficialmente sobre as alegações de atraso nos repasses. O caso expõe a realidade de centenas de profissionais que, segundo denúncias, enfrentam atrasos de até oito meses nos pagamentos. A categoria cobra providências imediatas do governo para regularizar os repasses e cumprir os acordos firmados com os trabalhadores.