Política
Arma de Bolsonaro é apreendida com militar em carro oficial da Presidência; Moraes pede explicações
Militar do GSI foi abordado em blitz em Taguatinga, no DF, e afirmou que levava a pistola para reparo. Governo Lula determinou abertura de investigação sobre o caso.
Reprodução
Um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi conduzido à delegacia na noite de segunda-feira (15) após ser flagrado com uma arma atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) , em Taguatinga. O caso foi comunicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) , e o ministro Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro preste esclarecimentos em até 24 horas .
O flagrante
Segundo o boletim de ocorrência, o militar conduzia um veículo oficial da Presidência da República quando foi parado em uma blitz da Lei Seca no Pistão Norte, em Taguatinga. Durante a fiscalização, os policiais encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros e um carregador contendo 30 munições no interior do automóvel .
À polícia, o militar afirmou que a arma é de Jair Bolsonaro e que a havia retirado para realizar um reparo no percussor após identificar uma falha mecânica. Segundo a versão, a manutenção seria concluída e a pistola devolvida ao ex-presidente no dia seguinte .
A PMDF informou que o militar estava com uma arma institucional regularmente portada, mas que a segunda arma de fogo — a Glock — foi localizada no veículo, sem documentação. O militar foi liberado após prestar depoimento, mas a arma permaneceu apreendida .
Decisão de Moraes
Após o recebimento da ocorrência, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro explique, em até 24 horas, a posse da arma em sua residência e por que solicitou o conserto justamente na véspera do fim do prazo de 90 dias de sua prisão domiciliar.
Também pediu que o comando da PMDF esclareça se a ordem de revistar todos os veículos que saem da residência de Bolsonaro está sendo cumprida rigorosamente e que o GSI preste informações sobre a retenção de celulares dos seguranças, que devem ser deixados fora da habitação .
Prisão domiciliar e reação do governo
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão e está atualmente em regime de prisão domiciliar humanitária para tratamento de saúde. O prazo de 90 dias estabelecido por Moraes se encerra nesta quarta-feira (17) .
O governo Lula se manifestou sobre o episódio. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que “não houve destruição de provas” e que a “Presidência não sabia” da presença da arma no carro . O Ministério da Justiça informou que abrirá uma investigação para apurar o ocorrido .
Outro lado
Em nota, a defesa de Bolsonaro afirmou que “o ex-presidente sempre agiu dentro da lei e que as medidas adotadas pelo STF são absurdas”.


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