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Política

Trump diz que ‘não tomou partido’ nas eleições do Brasil a pedido de Lula

Presidente dos EUA afirma que atendeu a um pedido direto de Lula para se manter neutro, mas volta a chamar o pleito de “vergonhoso” e se recusa a dizer se reconhece a vitória do petista

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(Divulgação/Molly Riley/Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que não tomou partido nas eleições brasileiras porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu diretamente que ele se mantivesse neutro. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca, um dia após Trump dizer que “não iria se envolver” na crise deflagrada pela carta golpista do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei”, declarou Trump.

A fala confirma um pedido que Lula já havia mencionado publicamente em outras ocasiões. Em outubro, o petista chegou a declarar: “Eu disse para o Trump: não se meta nas eleições do Brasil”. Na versão de Trump, no entanto, a solicitação foi feita e atendida sem que ele abrisse mão das críticas ao processo eleitoral brasileiro.

Críticas sem provas e recusa em reconhecer a vitória

Ainda na mesma declaração, Trump voltou a classificar a eleição brasileira como “vergonhosa” e “um grande constrangimento para o povo brasileiro” , sem apresentar qualquer evidência de irregularidades. Questionado diretamente sobre quem havia vencido o pleito, ele desconversou: “Não quero comentar isso agora”.

O presidente americano tentou sustentar a crítica citando o mercado financeiro. “Basta olhar para o mercado. O mercado despencou”, afirmou, sem detalhar a que período ou indicador se referia.

O contraste com a carta de Flávio

A declaração desta quinta-feira é a mais explícita de Trump sobre a neutralidade na eleição brasileira, mas não representa um endosso a Lula. O presidente americano não reconheceu formalmente a vitória do petista e, na véspera, havia adotado a mesma postura de distanciamento em relação a Flávio Bolsonaro.

Na quarta-feira (28), ao ser questionado sobre a carta em que o senador se autoproclamava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, Trump foi direto: “Não vou me envolver” . “Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha”, disse na ocasião.

A recusa de Trump em endossar a tese golpista de Flávio teve efeito imediato. Menos de uma hora depois da fala do presidente americano, o senador apagou a primeira versão da carta e publicou uma segunda, na qual trocou a autoproclamação de “presidente eleito” pela expressão “líder do Brasil” .

O que esperar

A declaração de Trump equilibra dois gestos: por um lado, atende ao pedido de Lula e evita uma intromissão formal na disputa; por outro, mantém a retórica de desconfiança sobre o processo eleitoral e não fecha a porta para Flávio. O senador segue nos Estados Unidos, onde desembarcou em Miami na quarta-feira (28) após fugir do Brasil pela fronteira com a Argentina.

A situação jurídica de Flávio, no entanto, permanece inalterada. O descumprimento da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar os passaportes pode fundamentar um pedido de prisão preventiva, e o senador perde o foro privilegiado em fevereiro de 2027.

A expectativa agora é sobre a conversa que Trump disse que terá com Lula. O presidente americano não deu prazo nem detalhes sobre quando ou em que contexto o diálogo ocorrerá.