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Política

Renan Santos ironiza carta de Flávio e chama exílio de “oposição EAD”

Crítica ocorre após Flávio se autoproclamar “verdadeiro presidente eleito” em carta divulgada de Miami, onde está com a família

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Reprodução

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos e sua autoproclamação como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” provocaram uma reação dura de um adversário político que não poupou palavras. Em vídeo divulgado nesta terça-feira (27), o ex-candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, criticou a postura do senador e questionou sua capacidade de liderança.

“Fuja se você for fraco e encare o problema se for homem e pague pelas consequências, mesmo quando inocente. Não é o caso do Flávio. O Flávio não é inocente, mas pague pelas consequências”.

O senador desembarcou em Miami na manhã desta quarta, acompanhado da esposa e das duas filhas, após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinava a entrega de seus passaportes em 24 horas.

“Não é a postura de um líder”

Renan Santos reconheceu que o processo judicial contra Flávio tem contornos políticos, mas afirmou que isso não justifica a saída do país. Ele comparou a situação do senador com a sua própria trajetória: “Eu também, quando fui atacado pelo Dias Toffoli, que acabou com a minha campanha, bati de frente, não recuei uma vírgula e não fugi do Brasil. Tem um padrão que você tem que ter”.

“Liderar, querer mudar teu país é um fardo muito grande, e homens que estão dispostos a ‘puxar cana’, mesmo quando injusto, por aquilo que acreditam, são homens que colocam o nome deles na história”.

Para Renan, a atitude de Flávio contrasta com a de líderes que, segundo ele, enfrentaram perseguições sem abandonar o território nacional. “Esta não é a postura de um líder”, resumiu.

“Oposição EAD” e “terra do Mickey”

Em um trecho mais ácido da crítica, reproduzido em áudio que circula nas redes sociais, Renan Santos ironizou a decisão de Flávio de comandar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. Ele comparou a iniciativa do senador a um “governo paralelo” , mas questionou a legitimidade de uma oposição feita à distância.

“Ele vai lutar direto da terra do Mickey, lá na Flórida. (…) O Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender, no fundo, ao interesse americano aqui.”

Renan também recorreu à história para contrastar a situação de Flávio com a de exilados políticos clássicos. Ele lembrou que a França Livre, de Charles de Gaulle, atuou contra o regime nazista a partir de Londres, mas manteve sua base de apoio na própria França. “O que rola aqui não é exatamente isso”, disse. Para ele, Flávio estaria tentando imitar o venezuelano Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela em 2019, sem o mesmo respaldo internacional.

“Ele está tentando imitar o que o Juan Guaidó fez, venezuelano, em protesto contra o regime do Maduro, sendo ele próprio parte de um regime que está de pé. O PL no Brasil está aqui, de pé. Estão operando, recebendo salário.”

O ex-candidato do Missão também duvidou da sustentação do “exílio” de Flávio junto a Donald Trump. “O Trump não é amigo de perdedores. (…) O Trump não tem amigos. O Trump tem parceiros de negócios e o lucro que interessa para ele, pessoalmente”.

A carta golpista e a versão da PF

A crítica de Renan Santos ganhou ainda mais peso após a divulgação da carta em que Flávio se autoproclama “verdadeiro presidente eleito” e agradece a Trump e ao presidente argentino Javier Milei “pela coragem, senso de justiça e legalidade”. No documento, o senador alega, sem provas, que houve fraude eleitoral no segundo turno e ataca o STF e o ministro Alexandre de Moraes.

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A Polícia Federal, no entanto, afirmou que Flávio não é considerado foragido e que não há pedido de prisão contra ele. “A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão”, informou a corporação. O senador usou um passaporte italiano para entrar na Argentina e o passaporte diplomático brasileiro — já cancelado — para ingressar nos EUA.

O que está em jogo

A avaliação de Renan Santos ecoa entre setores que, mesmo críticos ao governo Lula, consideram a fuga de Flávio um erro político. Para ele, a “oposição EAD” não apenas enfraquece a direita brasileira, mas entrega ao campo adversário o argumento de que o senador teme as investigações.

“A verdade precisa ser dita. Quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar. A nossa terra não era boa o suficiente.”

A situação jurídica de Flávio deve se agravar nos próximos dias. O descumprimento de uma medida cautelar pode fundamentar a decretação de prisão preventiva, e petistas já protocolaram um pedido nesse sentido, além de solicitarem a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol. A partir de fevereiro de 2027, quando deixa o mandato, o senador perde o foro privilegiado no STF.