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Política

Câmara aprova convite para Roberta Luchsinger explicar relação com Lulinha e supostas ameaças

Requerimento do deputado Sanderson (PL-RS) foi aprovado por unanimidade simbólica nesta terça-feira (27); lobista é investigada em três inquéritos no STF ao lado do filho do presidente por suspeita de tráfico de influência e diz sofrer ameaças de morte contra ela e as filhas

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Reprodução

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (27) um requerimento de convite para que a lobista Roberta Luchsinger preste esclarecimentos aos parlamentares. O foco são as investigações que a envolvem, ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, e as supostas ameaças de morte e tentativas de silenciamento que ela afirma sofrer.

A aprovação foi feita de forma simbólica, sem contagem nominal de votos, e o requerimento partiu do deputado Sanderson (PL-RS) , eleito senador nas eleições de 2026. O presidente da comissão, deputado Coronel Meira (PL-PE) , ainda não marcou a data da oitiva.

Convite, não convocação: presença é facultativa

Um ponto central da decisão é que se trata de um convite, e não de uma convocação. Isso significa que Roberta Luchsinger não é obrigada a comparecer à comissão. Caso aceite, a data do depoimento será definida pelo colegiado. A defesa da lobista, representada pelo advogado Roberto Podval, não confirmou até o momento se ela pretende comparecer.

O que a comissão quer ouvir

O requerimento aprovado pede que a lobista esclareça as circunstâncias das supostas “ameaças de morte, coação, intimidação e tentativas de silenciamento” que ela relata, incluindo ameaças contra suas filhas. Os deputados também querem detalhes sobre a natureza das ameaças, a eventual identificação dos autores e as medidas de proteção adotadas.

Além disso, a comissão pretende ouvir de Roberta informações sobre a relação dela com Lulinha e com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” , além dos negócios que os três teriam mantido. A comissão também aprovou um convite separado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tratar das investigações sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Quem é Roberta Luchsinger e o que ela alega

Roberta Luchsinger é uma empresária e lobista que se descrevia publicamente como “melhor amiga” de Lulinha e que, ao longo de anos, compartilhou viagens e encontros com o filho do presidente. Ela é investigada pela Polícia Federal em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) , ao lado de Lulinha, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais.

Segundo a PF, Roberta seria o elo entre o “Careca do INSS” e Lulinha. O relatório da corporação cita cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos por Antunes à lobista. A defesa dela afirma que os valores são honorários por serviços de consultoria e nega irregularidades. Lulinha também nega envolvimento em qualquer ilícito.

A entrevista que motivou o convite

O pedido de oitiva foi motivado pela entrevista que Roberta concedeu à CNN Brasil em 17 de outubro de 2026. Na conversa, ela afirmou se sentir coagida por causa das críticas públicas que fez ao presidente Lula e declarou querer colaborar com a Justiça.

Na entrevista, a lobista disse que pretende firmar um acordo de delação premiada para não responder sozinha pelas investigações. “Eu não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade, doa a quem doer. Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente” , afirmou. Ela também chamou Lula de “mentiroso” e disse que o presidente “mente e não pode continuar na Presidência” , além de ter declarado voto em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A versão do governo e de Lula

O governo federal reagiu às declarações. Em nota, afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados por Roberta e que nunca manteve interlocução com ela. O texto também sustenta que não há contrato do governo federal com a empresária. Lula negou proximidade com a lobista e disse não conhecê-la pessoalmente.

A defesa de Lulinha também se manifestou, negando qualquer envolvimento dele em irregularidades investigadas pela Polícia Federal.

Reação na Câmara e próximos passos

A oposição comemorou a aprovação do convite. Parlamentares ligados ao campo bolsonarista já haviam protocolado pedidos de proteção para Roberta e suas duas filhas após a entrevista à CNN, alegando risco à integridade física da lobista.

O convite aprovado nesta terça-feira será formalmente enviado à empresária. Se ela aceitar, a data do depoimento será marcada. Caso não compareça, a comissão pode optar por transformar o convite em convocação, o que tornaria a presença obrigatória sob pena de crime de desobediência — um movimento que dependeria de nova votação no colegiado. A expectativa é de que o tema domine os debates na Câmara nas próximas semanas, em meio ao início da transição para o novo governo.