Política
Flávio Bolsonaro teria fugido para a Argentina rumo aos EUA, diz site; PF aciona autoridades e senador silencia
Infobae aponta que o senador cruzou a fronteira com documento de identidade e embarcaria em jato particular em Puerto Iguazú; aliados negam, governo argentino contesta a versão, e a PF investiga se ele descumpriu a ordem de Moraes para entregar os passaportes em 24 horas
Wagner Meier/Getty Images
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , derrotado no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25), é alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) para apurar se ele deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos, passando pela Argentina. A informação foi publicada pelo site argentino Infobae na madrugada desta terça-feira (27) e é contestada por aliados do parlamentar e pelo governo do presidente Javier Milei.
De acordo com a reportagem do veículo argentino, Flávio teria deixado Brasília na noite de segunda-feira (26), atravessado a fronteira para a Argentina utilizando apenas a carteira de identidade — documento aceito para a entrada de brasileiros no país vizinho — e seguido para Puerto Iguazú, na província de Misiones. De lá, embarcaria em um voo privado com destino aos Estados Unidos.
O avião citado seria um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., com decolagem prevista para as 2h da manhã desta terça-feira (horário local). A companhia teria solicitado os procedimentos de alfândega e imigração para quatro passageiros e três tripulantes.
A ordem de Moraes e o prazo de 24 horas
A possível fuga ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse à PF, em um prazo de 24 horas, todos os seus passaportes — comum e diplomático —, além de eventuais documentos de outras nacionalidades. A decisão foi expedida na noite de domingo (25) e comunicada ao senador na manhã de segunda-feira (26), quando ele deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
A medida está relacionada a um inquérito que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e plataformas de apostas (bets). O senador também é alvo de outra investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
O prazo para a entrega dos documentos se encerrou no fim da manhã desta terça-feira (27), e, até o momento, Flávio não havia cumprido a determinação, segundo o jornal O Globo e o portal A Tarde.
PF aciona Argentina e apura “brecha” na fronteira
Assim que a notícia do Infobae veio à tona, a Polícia Federal acionou as autoridades argentinas para verificar se o senador deixou o território brasileiro por algum aeroporto do país vizinho. Fontes da cúpula da PF informaram que Flávio não passou por nenhum ponto regular de migração brasileiro nas últimas horas, o que, segundo os investigadores, não descarta a saída do país, mas impede uma confirmação oficial imediata pelo lado brasileiro.
A corporação reconhece uma brecha concreta: fontes admitiram que haveria como o senador cruzar a fronteira sem passar pela fiscalização, utilizando a identidade civil, como relatado pelo veículo argentino.
Versões contraditórias
A situação gerou um impasse diplomático e narrativas divergentes. Enquanto o site argentino sustenta que Flávio entrou no país, o governo da Argentina negou a informação. O porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, declarou à Bloomberg que Flávio nunca entrou na Argentina e que não houve decolagem de uma aeronave com as características descritas pela imprensa. O Ministério da Segurança argentino, responsável pelo departamento de Imigração, também afirmou que o ex-candidato do PL não entrou, nem pediu para entrar no país.
Do lado brasileiro, os aliados de Flávio saíram em defesa do senador. O coordenador-geral de sua campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN) , foi categórico ao ser questionado sobre a saída do parlamentar do território nacional: “Não saiu” . O advogado Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, classificou a reportagem como “fake” e escreveu nas redes sociais: “Mídia Argentina veiculando matéria fake. Mais cuidado com a rádio boataria maldosa” .
O silêncio de Flávio e a dificuldade de contato
O próprio senador não se pronunciou sobre o caso até o fechamento desta matéria. Ele não publica nas redes sociais desde a noite de segunda-feira (26). Interlocutores, aliados políticos e até integrantes do corpo jurídico do parlamentar relatam dificuldades para estabelecer contato com ele, e a assessoria de imprensa não retornou aos pedidos de esclarecimento.
A ausência de uma negativa oficial do senador, somada ao descumprimento do prazo para a entrega dos passaportes, alimenta a especulação sobre seu paradeiro e sobre uma possível tentativa de evasão do país para evitar as investigações do STF.


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