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Polícia

Computador ‘corrompido’ em dia de operação da PF chama atenção durante buscas na Aadesam

Equipamento que funcionava no setor de RH teria sido enviado para manutenção momentos antes da chegada de investigadores. PF apura se agência teve conhecimento prévio da ação

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A Polícia Federal identificou indícios de que a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) teve conhecimento prévio da decisão judicial que autorizou uma operação de busca e apreensão no órgão, realizada em 3 de setembro, em investigação sobre possível uso da estrutura do Governo do Amazonas em benefício eleitoral.

O relatório da PF também registra situações envolvendo equipamentos eletrônicos que, segundo os investigadores, chamaram atenção durante a diligência. Entre elas está um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos, que teria sido encaminhado para manutenção na mesma manhã da operação e posteriormente apresentado à equipe policial como “corrompido”.

A investigação envolve possíveis irregularidades relacionadas à transferência de servidores da capital para municípios do interior. O procedimento também cita o governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil), o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) e o presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu.

A operação foi autorizada pela desembargadora Nélia Caminha Jorge, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), em decisão assinada em 31 de agosto. Antes disso, em 19 de agosto, a Justiça Eleitoral já havia determinado que a Aadesam preservasse e apresentasse documentos relacionados a admissões e desligamentos de servidores realizados a partir de 1º de julho de 2026.

Segundo a PF, havia informações de que documentos e dados relevantes para a investigação poderiam ser destruídos, ocultados ou alterados.

Computador do RH foi levado para manutenção

Durante a busca, os policiais encontraram o computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos na sala de rede da agência.

Segundo o relatório, o gerente de RH informou que o equipamento havia apresentado defeito naquela manhã e, por isso, teria sido encaminhado ao setor de Tecnologia da Informação.

O equipamento foi apresentado aos policiais com a informação de que estaria “corrompido” e não passaria da tela de BIOS durante a inicialização.

A PF apreendeu o computador para análise. O relatório ressalta, porém, que somente uma perícia poderá determinar a origem do problema e verificar se houve formatação, apagamento ou alteração de dados.

Outro ponto registrado pelos investigadores foi o conhecimento prévio da decisão judicial.

Funcionários e o presidente da Aadesam teriam informado à PF que a ordem foi identificada por meio de uma notificação automática do sistema processual. Com isso, segundo o relatório, parte dos documentos solicitados pela Justiça já estava separada quando os agentes chegaram à agência.

O advogado da Aadesam também apresentou espontaneamente um pen drive de 128 GB com documentos que, segundo ele, atendiam às determinações judiciais.

A defesa havia protocolado uma petição pedindo a revogação da medida cautelar e apresentou o dispositivo durante o início da diligência.

Notebook foi encontrado após negativa

A PF também registrou uma situação envolvendo um notebook localizado na antessala da Presidência.

De acordo com o relatório, William Alexandre Silva de Abreu e outros servidores foram questionados sobre a existência de notebooks, mídias removíveis e celulares corporativos no local. A resposta, segundo os investigadores, foi negativa.

Durante a continuidade das buscas, entretanto, os agentes encontraram um notebook da marca Samsung, com carregador, ao lado do computador utilizado pela Presidência.

Além do equipamento, a PF apreendeu outro computador usado pela Presidência e um celular que, segundo o relatório, era utilizado para comunicação com funcionários.

Os equipamentos foram recolhidos para análise, e o relatório policial não apresenta, por si só, uma conclusão de que tenha ocorrido destruição ou ocultação de provas.

Defesa questionou apreensão

Durante a operação, o advogado da Aadesam contestou verbalmente a retirada dos computadores, alegando que a decisão judicial não autorizaria a apreensão física dos equipamentos.

Os investigadores registraram que a argumentação não foi acolhida porque, segundo a PF, o mandado não estabelecia essa restrição.

A Polícia Federal afirmou que a apreensão era necessária para preservar a cadeia de custódia dos dados e impedir eventual alteração das informações armazenadas.

Investigação também alcançou outros endereços

A operação de 3 de setembro também atingiu outros endereços relacionados à investigação.

Em um comitê de campanha no Japiim, os policiais procuraram computadores que poderiam conter registros de despesas eleitorais realizadas em dinheiro. Nenhum dos equipamentos descritos na decisão foi localizado. Um notebook encontrado no imóvel foi apreendido, mas estava protegido por senha.

No Morro da Liberdade, os agentes encontraram um caderno com nomes de pessoas que aparentavam atuar na campanha. Como não havia registros de valores, o material não foi apreendido.

Em uma entidade no bairro Aparecida, a PF informou não ter encontrado materiais relacionados à investigação.

O caso continua sob apuração da Justiça Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral pediu, no domingo (20), o afastamento de William Alexandre Silva de Abreu da presidência da Aadesam.

Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que a agência tem prestado os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e mantém postura de colaboração com a Justiça. O Executivo também informou que documentos relacionados ao caso já haviam sido encaminhados espontaneamente e que continuará à disposição para fornecer novas informações.

*Com informações do Amazonas1