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Artemis 2: por que os EUA estão gastando US$ 93 bilhões para voltar à Lua depois de 50 anos?
Tripulação da Artemis II, a partir da esquerda: Victor Glover, que será a primeira pessoa negra a viajar ao redor da Lua; Jeremy Hansen; Christina Koch; e Reid Wiseman, comandante da missão — Foto: Divulgação/Nasa via The New York Times
Em questão de poucos dias, a Nasa pretende lançar a missão Artemis 2, que enviará quatro astronautas em direção à Lua. A viagem em torno do nosso vizinho mais próximo abrirá o caminho para um novo pouso e, eventualmente, uma base lunar.
O programa Artemis exigiu anos de trabalho, envolveu milhares de pessoas e seu custo estimado até aqui é de US$ 93 bilhões (cerca de R$ 487 bilhões). Para algumas pessoas, no entanto, há uma sensação de que “já estivemos lá e já fizemos isso”. Mais de 50 anos atrás, as missões Apollo fizeram história com seis pousos na superfície lunar. Então, por que os Estados Unidos estão dedicando tanto tempo, esforço e dinheiro para retornar ao satélite natural?
Recursos valiosos
O terreno lunar pode parecer seco, poeirento e estéril, mas é muito mais do que isso. “A Lua tem os mesmos elementos que temos aqui na Terra”, afirma Sara Russell, cientista planetária do Museu de História Natural de Londres. “Um exemplo são as terras raras, que são muito escassas na Terra, e pode haver partes da Lua com concentração suficiente para permitir sua mineração.”
Existem também metais como ferro e titânio, além de hélio, empregado em supercondutores e equipamentos médicos. Mas o recurso mais surpreendente é a água.
“A Lua tem água capturada em alguns dos seus minerais e quantidades substanciais de água nos polos”, explica Russell. Há crateras permanentemente na sombra onde pode se acumular gelo. Ter acesso à água é fundamental para viver na Lua: ela fornece água potável e pode ser repartida em hidrogênio e oxigênio para respirar e até para abastecer espaçonaves.
A corrida pela dominação do espaço
As missões Apollo foram impulsionadas pela corrida espacial entre EUA e União Soviética. Desta vez, a concorrente americana é a China, que avança rapidamente com seu programa espacial, levando robôs e veículos de exploração à Lua com sucesso. O país afirma que levará seres humanos até 2030.
Ser o primeiro a hastear sua bandeira na poeira lunar ainda traz prestígio, mas agora o que realmente importa é onde você a coloca. EUA e China querem acesso às regiões com maior abundância de recursos, garantindo para si o melhor terreno lunar possível.
O Tratado do Espaço Sideral da ONU de 1967 afirma que nenhum país pode tomar posse da Lua, mas não há tanta clareza sobre o que for encontrado lá. “Você não pode ser dono de um terreno, mas pode basicamente operar naquele terreno sem interferência de ninguém”, explica a primeira astronauta britânica, Helen Sharman. “Quando você estiver lá, ele é seu pelo tempo que quiser.”
Abrir o caminho para Marte
A Nasa pretende enviar pessoas a Marte na década de 2030. Considerando os obstáculos tecnológicos, o prazo é ambicioso, e a Lua serve como laboratório. “Ir para a Lua e permanecer lá por um período prolongado é muito mais seguro, mais barato e mais fácil como teste para aprendermos a viver e trabalhar em outro planeta”, afirma Libby Jackson, chefe de espaço do Museu de Ciências de Londres.
Em uma base lunar, a Nasa pode aperfeiçoar tecnologia para fornecer ar, água, energia e construir habitats contra temperaturas extremas e radiação. “São tecnologias que, se você experimentar pela primeira vez em Marte e elas saírem errado, será potencialmente catastrófico. É muito mais seguro experimentá-las na Lua”, explica Jackson.
Mistérios ainda a serem descobertos
Cientistas aguardam ansiosos por material trazido da Lua. As rochas da Apollo transformaram nosso conhecimento sobre o satélite, revelando que ele foi formado por um impacto gigantesco com a Terra. Como a Lua já fez parte do nosso planeta, ela detém um registro de 4,5 bilhões de anos de história. Sem placas tectônicas, vento ou chuva, é uma cápsula do tempo perfeita.
“Ter um novo lote de rochas de uma área diferente da Lua seria fantástico”, afirma Russell.
Inspiração para uma nova geração
As missões Apollo transformaram o sonho do espaço em realidade. As missões Artemis, transmitidas ao vivo em 4K, devem inspirar uma nova geração. “Vivemos em um mundo de tecnologia. Precisamos de cientistas, engenheiros e matemáticos. E o espaço tem a brilhante capacidade de incentivar as pessoas sobre esses temas”, diz Libby Jackson.
Novos empregos e uma economia espacial em expansão oferecerão aos EUA um retorno dos bilhões investidos na Artemis. Mas Helen Sharman afirma que o retorno à Lua também dará ao mundo um impulso necessário. “Se realmente nos unirmos, podemos produzir muitas coisas benéficas para a humanidade. Aquilo nos mostra o que os seres humanos são capazes de fazer.”


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